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A abóbóra guardiã do solar

  • 6 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 11 de mar.

A Abóbora Guardiã


Muito antes de existir jardim, caminhos de pedra ou lanternas acesas nas tardes de outono, dizem que já havia algo no Solar.


Uma presença.


Antiga, silenciosa e paciente.


Ninguém sabe exatamente quando ela apareceu. Alguns dizem que nasceu da própria terra. Outros acreditam que foi deixada ali para proteger a casa antes mesmo de ela existir.


Mas todos no Solar conhecem sua forma.


A Abóbora Guardiã.


Ela não cresce como as outras abóboras do mundo.

Não surge de repente entre folhas largas ou trepadeiras no chão do jardim.


A Abóbora Guardiã simplesmente está.


Todos os anos, quando o verão se despede e o ar começa a ficar mais suave, ela aparece entre os canteiros do jardim do Solar, redonda e luminosa sob a luz dourada do outono.


Ninguém a planta.


Ninguém a colhe.


Porque todos sabem que ela não pertence a ninguém.


A Abóbora Guardiã pertence à própria casa.


Dizem que ela guarda os ciclos do Solar.


As estações que passaram, os invernos silenciosos, as primaveras cheias de asas e os verões cheios de sol. Tudo o que acontece na casa parece, de alguma forma, passar por ela.


Algumas criaturas do jardim se aproximam.


O Coelho costuma parar por perto nas primeiras noites de outono, como se estivesse escutando algo que só ele consegue ouvir.


A Raposa passa algumas vezes, em silêncio, observando de longe.


E quando o vento atravessa as folhas secas do jardim, há quem diga que a Abóbora brilha levemente, como uma pequena lanterna viva entre as sombras.


Talvez ela esteja apenas lembrando a casa de algo muito simples.


Que tudo tem seu tempo.


Que tudo retorna.


Que cada estação carrega um pedaço da próxima.


No Solar, ninguém sabe todos os segredos da Abóbora Guardiã.


Mas todos concordam em uma coisa:


Enquanto ela continuar aparecendo no jardim a cada outono, a casa sempre encontrará seu caminho de volta para a luz.



No Solar, cada criatura, cada semente e cada estação guarda um pedaço da memória da casa.

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