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Signore Bellaroma - O Perfumista das Margaridas

  • 6 de jun.
  • 3 min de leitura




Há quem colecione livros.


Há quem colecione sementes.


Há quem colecione receitas.


E há Signore Bellaroma.


Que coleciona suspiros.


Não os guarda em caixas.


Nem em gavetas.


Nem em frascos comuns.


Guarda em perfumes.


Porque Bellaroma acredita que toda memória possui um cheiro.


E que, às vezes, é o cheiro que se lembra de nós primeiro.



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Quem é ele


Ninguém sabe exatamente de onde veio.


Ele diz que nasceu na Itália.


Mas já contou versões diferentes pelo menos vinte e três vezes.


Em uma delas, nasceu dentro de um campo de lavandas.


Em outra, foi encontrado dentro de uma caixa de cartas de amor.


Em uma terceira, surgiu de um perfume esquecido em cima de um piano.


Talvez todas sejam verdade.


Talvez nenhuma seja.


O próprio Bellaroma parece gostar da dúvida.



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Sua aparência


Sempre impecável.


Boina vermelha.


Lenço de seda.


Colete elegante.


Relógio de bolso.


Bigode cuidadosamente enrolado.


E um perfume diferente a cada dia.


Às vezes cheira a rosas.


Às vezes a café.


Às vezes a chuva.


Às vezes a algo impossível de explicar.


Algo que faz alguém dizer:


"Isso me lembra alguma coisa..."




Mesmo sem saber o quê.



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O que ele faz


Cria perfumes.


Mas não perfumes comuns.


Cria perfumes para momentos.


Para sentimentos.


Para memórias.


Para saudades.


Na Perfumaria das Margaridas existem frascos com nomes como:


Primeira Chuva de Primavera


Carta Nunca Enviada


Tarde na Varanda


Página Esquecida no Livro


Último Chá Antes do Inverno


Abraço Que Ficou



E Bellaroma consegue explicar cada um deles durante horas.


Mesmo quando ninguém perguntou.



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Seu talento especial


Ele consegue perceber cheiros que ninguém mais percebe.


O cheiro de uma despedida.


O cheiro de uma promessa.


O cheiro de uma casa feliz.


O cheiro de alguém que acabou de reencontrar esperança.


Ele diz:


"O nariz é apenas a porta.


Quem sente de verdade é o coração."





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Seus amigos


Senhor Girassoldo Prosperino


Girassoldo fala de sementes.


Bellaroma fala de flores.


Os dois passam tardes inteiras discutindo qual delas veio primeiro.


Nenhum convenceu o outro.



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Dona Quitanda Margarida


Fornece frutas, ervas e flores para suas criações.


Em troca recebe perfumes sazonais.


A amizade deles faz o Solar cheirar especialmente bem.



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Seu Zecatixo


Guardião dos aromas do jardim.


Os dois frequentemente trocam ervas raras.


Ninguém sabe exatamente o que conversam.


Mas geralmente termina com ambos muito satisfeitos.



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Morcélio da Silva


Parceiro improvável.


Compartilham gosto por frascos antigos.


Objetos estranhos.


E coisas que os outros consideram sem valor.



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O que ele acredita


Que nenhuma lembrança desaparece completamente.


Que gentileza deixa perfume.


Que saudade é uma forma elegante de amor.


E que uma casa sem cheiro é uma história sem voz.



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Seu lema


"Toda casa merece um aroma que diga:


Bem-vindo de volta."





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Hoje


Signore Bellaroma continua em sua perfumaria.


Misturando pétalas.


Anotando fórmulas.


Flertando discretamente com praticamente tudo que respira.


Incluindo flores.


Incluindo borboletas.


Incluindo a lua em certas noites.


E, de vez em quando, quando ninguém está olhando, cria um perfume novo.


Um perfume sem nome.


Um perfume que guarda um momento tão bonito que ele ainda não encontrou palavras para descrevê-lo.


Então guarda o frasco na prateleira mais alta.


Esperando.


Porque Bellaroma sabe que algumas memórias precisam amadurecer antes de ganhar nome.


🌹🧴✨


"Perfume é saudade que aprendeu a voar." — Signore Bellaroma.

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