REINO DE

MARGARITIA

familia do solar

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Vó Margarida
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A avó do Solar.
A mulher que transformou uma casa em lar.
Margarida chegou ao lugar que um dia seria o Solar das Margaridas ainda muito jovem, viúva e grávida. Trazia poucas coisas consigo — entre elas, algumas sementes de margaridas que haviam pertencido à sua antiga vida.
Diante de um terreno vazio, decidiu começar novamente.
Plantou as primeiras flores antes mesmo de levantar as paredes. Depois construiu a casa pouco a pouco, aprendendo, errando, corrigindo e recomeçando. Para Margarida, aquele lugar nunca foi apenas uma construção: era a promessa de que sua filha teria um lar onde pudesse crescer cercada de amor, segurança e boas memórias.
Foi nesse período que conheceu Raymond, o estranho homem que vivia sob o terreno. O encontro entre os dois mudaria para sempre a história daquela casa. Foi Raymond quem chamou a construção de solar, uma grande casa de família feita para atravessar gerações. As margaridas que floresciam diante da entrada completaram o nome que permaneceria para sempre: Solar das Margaridas.
Com o passar dos anos, Margarida tornou-se o coração doméstico do Solar. Mãe, avó, cozinheira, anfitriã e guardiã das pequenas coisas, é aquela que percebe quando alguém está cansado, prepara alguma coisa para comer e encontra espaço para mais uma pessoa à mesa.
Sua força, porém, nunca esteve em parecer invencível.
Margarida conhece a perda, a solidão, o medo e o recomeço. Já precisou continuar quando tudo dentro dela queria parar. Talvez por isso saiba tão bem acolher quem chega carregando suas próprias dores.
No Solar, sua cozinha tornou-se território de encontros. Ali se conversa, se toma chá, se divide pão, se contam histórias e, quando necessário, simplesmente se permanece em silêncio.
Ela também é curiosa — às vezes até demais. Foi uma das poucas pessoas capazes de conviver durante décadas com os mistérios de Raymond sem deixar de fazer perguntas. E quando finalmente descobriu que algumas de suas histórias eram verdadeiras, não deixou que o estranho apagasse o afeto construído ao longo dos anos.
Talvez seja por isso que sua frase mais conhecida resuma tão bem o espírito do Solar:
> “Aqui todos são bem-vindos.
Aqui todos têm lugar à mesa.
Aqui todos são meus filhos.”
Para quem conhece o Solar das Margaridas, Vó Margarida não é apenas uma das suas moradoras mais antigas.
Ela é parte daquilo que faz uma casa ser um lar.
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Malvina M'argarida Esmeralda
Guardiã do Crescimento
No coração da Colina das Abóboras, em Morangânia, existe uma casa que parece ter crescido junto com o jardim.
É ali que vive Malvina M'argarida Esmeralda.
Aos dezoito anos, Malvina é uma das Quatro M'argaridas e a Guardiã do Crescimento. Apaixonada por plantas, livros, receitas e projetos, está sempre envolvida com alguma coisa que ainda não terminou de nascer.
Uma muda.
Uma ideia.
Uma receita.
Uma pergunta.
Ou um projeto grande demais para os cadernos onde costuma desenhá-lo.
Malvina usa um grande chapéu de jardinagem, botas frequentemente cobertas de terra e mantém os bolsos cheios de sementes, anotações, pequenas pedras, ferramentas e objetos cuja utilidade talvez tenha sido esquecida — mas cujo valor, para ela, continua existindo.
Ela acredita que perder a utilidade não é o mesmo que perder o valor.
Sua casa é tão cheia de projetos quanto sua imaginação. Cadernos começam e nem sempre terminam. Receitas aparecem em papéis improváveis. Vasos esperam sementes que ainda não existem. Ferramentas antigas dividem espaço com livros, canecas e mudas.
Para outras pessoas, pode parecer desorganização.
Para Malvina, tudo pertence a algum lugar.
Ela conversa com suas plantas todos os dias. Não porque espere que respondam, mas porque acredita que crescer fica mais fácil quando alguém dedica tempo para escutar. Até os trovões recebem seu cumprimento — afinal, para Malvina, gentileza nunca é desperdício.
Mas Malvina não cultiva apenas jardins.
Cultiva possibilidades.
Ela acredita em jardins que ainda serão construídos, livros que ainda serão escritos, amizades que ainda nascerão e em versões futuras das pessoas — inclusive dela mesma. Para Malvina, plantar exige uma forma especial de coragem: a coragem de cuidar de algo que ainda não existe e acreditar que um dia poderá florescer.
Ao seu lado está Nebuloso, seu companheiro inseparável.
Mas Nebuloso está longe de ser apenas um gato preto.
Metamorfo de origem desconhecida, ele possui conhecimentos antigos sobre ervas, alquimia e cura. Médico, curandeiro e estudioso da natureza, Nebuloso também é um dos poucos seres capazes de transitar entre a forma humana e a felina.
Na Colina, os dois formam uma dupla improvável.
Malvina imagina o que as coisas podem se tornar.
Nebuloso observa, questiona e lembra que até as melhores ideias precisam de cuidado.
Ele é companheiro, fiscal, crítico e, nas palavras de quem conhece a rotina da casa, sócio não declarado.
Quando o sol desaparece atrás das árvores e a Colina das Abóboras começa a ficar silenciosa, as luzes da casa continuam acesas.
Malvina ainda pode estar desenhando.
Escrevendo.
Planejando.
Plantando.
Ou simplesmente observando uma pequena semente.
Porque, para ela, observar também é uma forma de cuidar.
E talvez essa seja a melhor maneira de compreender Malvina M'argarida Esmeralda:
ela não passa pela vida construindo apenas aquilo que já existe.
Ela cultiva aquilo que ainda vai florescer.

Margot M'argarida
18 anos
Margot M'argarida gosta de pessoas.
Não de multidões.
De pessoas.
Daquelas que chegam para tomar um chá e acabam ficando por horas. Das que aparecem sem avisar. Das que precisam conversar. Das que preferem silêncio.
Ela tem uma maneira particular de receber quem chega.
Prepara a mesa.
Escolhe as xícaras.
Escuta.
E quase nunca oferece uma resposta antes de fazer uma pergunta.
Margot acredita que os encontros importam. Que algumas pessoas passam por nossas vidas durante anos, enquanto outras permanecem conosco mesmo depois de partir.
Talvez por isso ela guarde tantas pequenas lembranças.
Uma carta.
Uma fotografia.
Uma receita.
Uma flor prensada entre as páginas de um livro.
Coisas que poderiam parecer insignificantes para qualquer outra pessoa.
Para Margot, não são.
Ela é elegante, cuidadosa e atenta aos detalhes. Mas não confunde cuidado com controle. Para ela, gostar de alguém também significa respeitar seu espaço, suas escolhas e seu direito de seguir outro caminho.
Ao seu lado está Ângelo, seu companheiro de longa data — um gato dourado de olhar tranquilo que parece compreender muito mais do que demonstra.
Margot M'argarida é uma das quatro irmãs do Solar.
E talvez seja aquela que melhor sabe que algumas das histórias mais importantes não acontecem quando alguém chega.
Acontecem quando alguém decide ficar.

Morgana M'argarida
18 anos
Morgana M'argarida sempre teve dificuldade em escolher apenas um caminho.
Talvez porque nunca tenha acreditado que precisasse escolher apenas um.
Aos dezoito anos, Morgana vive em um apartamento no Vilarejo Correnteza, em Vila Poseidônia, no Estado de Azuria.
Perto do mar, dos barcos, dos hotéis, dos cafés e do movimento constante de pessoas que chegam e partem, ela encontrou um lugar que combina com seu jeito de viver.
Seu apartamento não é grande.
Mas é dela.
E isso importa.
Há mapas sobre a mesa, fotografias de lugares que já visitou, pequenas lembranças trazidas de viagens e uma mala que raramente fica completamente vazia.
Morgana gosta de viajar.
Gosta de conhecer lugares novos, experimentar coisas diferentes, conversar com pessoas que nunca viu antes e descobrir o que existe depois da próxima curva.
Mas viajar não é a única coisa que faz.
Morgana também gosta de trabalhar, aprender, fazer planos e construir sua própria vida.
Ela gosta da sensação de pagar suas próprias contas.
De escolher seus horários.
De tomar suas próprias decisões.
De descobrir, aos poucos, quem é quando ninguém está escolhendo por ela.
Isso não significa que tenha deixado o Solar para trás.
Morgana ama suas irmãs.
Ama sua família.
E sempre sabe que existe um lugar para onde pode voltar.
Ela simplesmente descobriu que ter raízes não significa não poder ter asas.
Ao seu lado está Rudolph, seu companheiro de aventuras — um gato dourado tão curioso quanto ela e aparentemente incapaz de ignorar uma passagem, uma porta ou qualquer lugar onde não deveria entrar.
Os dois formam uma dupla difícil de acompanhar.
Morgana gosta de descobrir o mundo.
Rudolph gosta de descobrir problemas.
E, de alguma maneira, quase sempre acabam encontrando soluções juntos.
Enquanto suas irmãs encontram diferentes maneiras de olhar para a vida, Morgana prefere olhar para aquilo que ainda não conhece.
Ela não tem todas as respostas.
Nem pretende ter.
Aos dezoito anos, ainda está descobrindo seus caminhos, fazendo escolhas e aprendendo com cada uma delas.
Talvez seja justamente isso que mais goste na vida:
a possibilidade de mudar de direção.
Porque, para Morgana, independência nunca significou caminhar sozinha.
Significou saber que o caminho é seu.

Minerva M'argarida
18 anos
Minerva M'argarida sempre teve perguntas demais.
Enquanto suas irmãs procuravam respostas, Minerva costumava procurar aquilo que havia ficado de fora.
Uma palavra não explicada.
Um detalhe esquecido.
Uma história que ninguém mais lembrava.
Uma porta que parecia não levar a lugar algum.
Ela não se considera misteriosa.
Apenas gosta de entender as coisas.
Talvez seja por isso que tenha escolhido viver em Vila Umbral, no Estado de Estígia — uma cidade cercada por histórias antigas, lendas e mistérios que despertam sua curiosidade.
Seu apartamento fica em uma das áreas mais antigas da cidade. Entre livros, anotações e objetos encontrados pelo caminho, Minerva passa boa parte do tempo lendo, pesquisando e observando.
Ela gosta de histórias.
Principalmente daquelas que ninguém consegue contar exatamente da mesma maneira.
Minerva tem uma memória incomum para detalhes e uma tendência quase inevitável a fazer perguntas.
Às vezes perguntas simples.
Às vezes perguntas que ninguém queria responder.
E quase sempre existe uma pergunta depois da resposta.
“E depois?”
Ao seu lado está Arrepius, seu companheiro felino, que parece possuir um talento especial para transformar momentos silenciosos em pequenas confusões.
Os dois formam uma dupla curiosa: Minerva observa o mundo com atenção; Arrepius parece empenhado em testar os limites dele.
Apesar de viver longe do Solar, Minerva nunca deixou de fazer parte dele.
Suas irmãs continuam sendo seu ponto de referência, mesmo quando cada uma segue seu próprio caminho.
Minerva apenas descobriu que também precisava de um lugar onde pudesse procurar suas próprias respostas.
Ela ainda não sabe todas.
Talvez nunca saiba.
E parece gostar disso.
Porque, para Minerva, algumas perguntas são valiosas justamente porque ainda não encontraram uma resposta.
E talvez seja por isso que ela continue procurando.
Lendo.
Observando.
Questionando.
E abrindo portas que outras pessoas prefeririam deixar fechadas.
Afinal, toda história interessante começa quando alguém decide perguntar:
“E se?”


Madame Hey
38 anos
Madame Hey é escritora, editora e mãe.
À frente da Editora Madame Hey, dedica sua vida aos livros, às histórias e às pessoas que ainda têm alguma coisa para contar.
Sua editora está sediada em Amanita, na Vila dos Cogumelos, junto à Biblioteca Cogumelo Central — um dos grandes centros literários de Margaritia.
Mas Madame Hey não vive apenas entre livros.
Ela é também mãe de Minerva, Margot, Morgana e Malvina, as quatro M'argaridas.
Embora cada uma tenha seguido seu próprio caminho, o Solar continua sendo um ponto de encontro para a família. É ali que histórias são compartilhadas, ideias começam, visitas inesperadas aparecem e, vez ou outra, alguém volta para casa.
Madame Hey tem uma relação especial com a literatura.
Para ela, um livro nunca é apenas um objeto.
Pode ser uma porta.
Uma memória.
Uma pergunta.
Uma oportunidade de conhecer um mundo que ainda não existia antes de alguém decidir escrevê-lo.
Talvez seja por isso que tenha escolhido fazer da edição de livros não apenas uma profissão, mas uma forma de construir mundos e dar espaço para outras vozes.
Entre sua editora, a Biblioteca Cogumelo e o Solar das Margaridas, Madame Hey vive cercada por histórias.
Algumas estão publicadas.
Outras ainda estão sendo escritas.
E algumas...
talvez ainda nem tenham encontrado o escritor certo.