Margot M'argarida
- 6 de jun.
- 3 min de leitura

Há no Jardim da Lua um espelho.
Não um espelho comum.
Espelhos comuns devolvem imagens.
Este devolve histórias.
Quem passa diante dele vê o próprio reflexo.
Quem permanece um pouco mais vê lembranças.
Quem tem coragem suficiente vê escolhas.
E dentro desse espelho existe uma casa de vidro.
Uma casa onde nada é escondido.
Mas nem tudo é imediatamente compreendido.
Ali mora Margot M'argarida.
A casa é feita de vidro.
Mas não de transparência.
De confiança.
Há diferença.
Transparência é mostrar tudo.
Confiança é saber o que pode ser mostrado.
Margot entende essa diferença.
Por isso a casa existe.

À primeira vista, parece um conservatório antigo.
Rosas subindo pelas estruturas metálicas.
Luz atravessando janelas enormes.
Mesas preparadas para mais pessoas do que realmente existem.
Poltronas posicionadas em pares.
Xícaras esperando visitas.
Mas quem permanece percebe que a casa não foi construída para morar.
Foi construída para receber.
"Margot acredita que uma casa não é feita de paredes.
É feita de presenças."
Seus cabelos escuros vivem presos em penteados elaborados.
Não por vaidade.
Por cerimônia.
Porque ela acredita que algumas coisas merecem preparação.
Uma conversa importante.
Uma visita esperada.
Uma despedida necessária.
Um reencontro improvável.
Veste-se com elegância.
Mas elegância, para Margot, nunca foi aparência.
É consideração.
É a forma visível do cuidado.
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Na Casa de Vidro encontram-se:
Cartas nunca enviadas.
Fotografias sem identificação.
Convites antigos.
Flores prensadas entre páginas.
Receitas herdadas.
Bilhetes esquecidos em livros.
Guardanapos de jantares memoráveis.
Pequenos objetos que só fazem sentido para quem estava presente.
E cada um deles possui uma história.
Porque Margot não coleciona coisas.
Coleciona vínculos.
"Há pessoas que guardam ouro.
Margot guarda lembranças compartilhadas."
Seu companheiro é Ângelo.
Um gato dourado de olhar tranquilo.
Sempre próximo.
Sempre atento.
Nunca invasivo.
Existe uma serenidade antiga nos dois.
Como se ambos soubessem que afeto não precisa ser barulhento para ser verdadeiro.
Quando alguém visita a Casa de Vidro pela primeira vez, costuma acreditar que Margot dará respostas.
Não dá.
Faz perguntas.
Perguntas simples.
Perguntas perigosas.
Perguntas que parecem pequenas.
Mas que permanecem por semanas.
Às vezes por anos.
Ela pergunta:
"Você sente falta da pessoa ou da ideia que criou dela?"
"Você quer continuar ou apenas tem medo de encerrar?"
"Isso é amor ou obrigação?"
"Você está tentando ser compreendida ou aprovada?"
E então escuta.
Escuta de verdade.
O que é mais raro do que parece.
"Margot acredita que ouvir é uma forma de amor."
Enquanto Minerva observa símbolos.
Enquanto Malvina observa sementes.
Margot observa pessoas.
Percebe silêncios.
Mudanças de tom.
Palavras que foram escolhidas.
Palavras que foram evitadas.
Não por julgamento.
Por interesse genuíno.
Porque relacionamentos sempre foram seu assunto favorito.
Mas engana-se quem pensa que ela é romântica demais.
Margot gosta de vínculos.
Não de dependências.
Acredita no amor.
Mas também acredita em limites.
Acredita na amizade.
Mas também acredita em distância quando necessária.
Acredita em comunidade.
Mas também acredita na individualidade.
Para ela, um vínculo saudável não prende.
Sustenta.
"Aquilo que precisa de prisão para permanecer já estava indo embora."
Por isso sua casa possui tantas portas abertas.
Tantas janelas.
Tanto espaço.
Porque Margot não tenta segurar ninguém.
Quem permanece, permanece por escolha.
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À noite, quando o Jardim da Lua silencia, as luzes da Casa de Vidro continuam acesas.
Às vezes há convidados.
Às vezes há cartas sendo respondidas.
Às vezes há chá.
Às vezes apenas reflexão.
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E às vezes Margot observa o espelho que separa sua casa do Solar.
Não para olhar a si mesma.
Mas para lembrar de todos aqueles que passaram por ali.
Pessoas que chegaram.
Pessoas que partiram.
Pessoas que mudaram.
Pessoas que permaneceram.
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Porque, para ela, viver nunca foi uma atividade solitária.
Sempre foi uma construção coletiva.
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Hoje, Margot continua no Jardim da Lua.
Continua recebendo.
Continua ouvindo.
Continua guardando histórias.
Continua acreditando que os encontros moldam destinos.
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🌹 Margot M'argarida, a Zeladora dos Vínculos, é a prova de que ninguém se torna quem é sozinho. Somos feitos das pessoas que amamos, das que nos ensinaram, das que permaneceram e até das que partiram. E é por isso que, em sua Casa de Vidro, cada história encontra um lugar para repousar.
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Dos Arquivos do Solar
No Solar acreditamos que independência e conexão não são opostos.
Acreditamos que escolher o próprio caminho não significa caminhar sozinho.
Margot é essa crença transformada em casa, em chá compartilhado, em carta guardada e em escuta verdadeira.
Porque algumas pessoas cultivam jardins.
Outras exploram horizontes.
Outras observam mistérios.
Margot cultiva algo mais raro:
A arte de construir vínculos que permanecem.




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