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A serenata das Poças
Há música no Solar que não vem de instrumentos. Vem de água parada, de garganta, de paciência. A serenata das Poças não se apresenta. Apenas acontece nas noites em que a umidade sobe da terra e as estrelas parecem mais distantes que o normal. Quatro sapos, quatro funções, uma única certeza: som é coisa que se sente antes de se ouvir. Dom Bemol é o fundo. O baixo. O que vibra no peito antes de chegar aos ouvidos. Ele não canta para ser ouvido, canta para ter certeza de que a t
13 de mar.


Nicolau, o Lento
Há criaturas no Solar que não se movem. Apenas continuam. Nicolau é uma delas. Dizem que ele estava lá antes da primeira pedra ser colada. Que quando a Madame Hey pisou no terreno pela primeira vez, sentiu algo sob a sola do pé, não uma raiz, não uma pedra. Algo que cedia, mas não se quebrava. Algo que esperava . Ela não olhou. Sabia, instintivamente, que algumas presenças se ofendem com olhares diretos. Nicolau era uma dessas. Desde então, ele habita os corredores mais longo
13 de mar.


Sir Ratatônio
Há moradores no Solar que não pagam aluguel. Não assinam contratos. Não aparecem nas plantas da casa. Sir Ratatônio é um deles. Dizem que ele chegou antes mesmo de haver paredes. Quando o terreno ainda era apenas terra e promessa, alguém, talvez a própria Madame Hey, talvez o tempo, deixou cair uma chave de metal pequena demais para fechaduras humanas. Sir Ratatônio a encontrou. Considerou-se convidado. Desde então, ele habita os espaços entre os espaços. Não nos porões, onde
12 de mar.


O Jardim da Lua
Existe um lugar no Solar que muda completamente quando o sol se despede. Durante o dia, ele parece apenas um jardim tranquilo. Caminhos de pedra clara, canteiros silenciosos, árvores que balançam devagar com o vento. À primeira vista, nada parece muito diferente de qualquer outro jardim antigo. Mas quando a noite chega, algo muda. A luz da lua toca as folhas, os caminhos ficam prateados e o silêncio ganha uma presença diferente. É então que o jardim revela seu verdadeiro nome
11 de mar.


A abóbóra guardiã do solar
A Abóbora Guardiã Muito antes de existir jardim, caminhos de pedra ou lanternas acesas nas tardes de outono, dizem que já havia algo no Solar. Uma presença. Antiga, silenciosa e paciente. Ninguém sabe exatamente quando ela apareceu. Alguns dizem que nasceu da própria terra. Outros acreditam que foi deixada ali para proteger a casa antes mesmo de ela existir. Mas todos no Solar conhecem sua forma. A Abóbora Guardiã. Ela não cresce como as outras abóboras do mundo. Não surge de
6 de mar.
Blog do solar
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