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“O Solar das Margaridas não é apenas uma casa: é um universo.
Aqui vivem a Abóbora Guardiã, os passarinhos de Primavera, o Urso do Inverno e muitas outras criaturas.
Cada canto tem memória, cada objeto tem alma.
Vamos começar a contar essa história?”


Coelho Oscar
COELHO OSCAR Há moradores que cuidam dos jardins. Há moradores que cuidam das histórias. Há moradores que cuidam das memórias. E há quem cuide das ocasiões. Coelho Oscar é um deles. Cozinheiro oficial do Solar, anfitrião das celebrações, escritor de livros escondidos em ovos de chocolate e defensor obstinado da cerimônia cotidiana, Oscar acredita que uma mesa posta pode mudar um dia inteiro. Talvez até uma vida. Ele não nasceu no Solar. Mas depois de tantas visitas, tantos ch
20 de mar.


Urso Arcano
Há no Solar uma estação que não se constrói, não se planta, não se espera com ansiedade de quem precisa de descanso. O inverno. E no inverno, quando o frio não é rigor mas convite, aparece Urso Arcano. Ele não bate na porta. Não passa por Astolfo. Não anuncia chegada com carta, com sinal, com previsão. Apenas está, deitado no sofá, com cobertor que não lembra de ter trazido, com caneca de chocolate quente que não pediu, que Madame Hey sabe que deve fazer. "Urso Arcano não
20 de mar.


Avelã, a Raposa do Outono
Há no Solar um momento em que o ar muda. Não esfria de repente, não escurece, não avisa com trovão ou vento ou cheiro de chuva que vem. Apenas muda. E quem mora ali sente: algo começou a ir embora e, curiosamente, isso não dói. É quando Avelã aparece. Ela não entra pelo portão. Não passa por Astolfo, que dança para quem não se explica. Não pede permissão a Lucerna, que brilha na entrada para quem precisa ser visto. O outono não pede. O outono simplesmente é. Avelã já está. D
20 de mar.


As Regras do Solar
1. Nenhum animal é de estimação. Todos são moradores. Não há dono e dono. Há hospedaria mútua. A Madame Hey não possui Rudolph; Rudolph permite que ela viva na casa que ele escolheu. Sir Ratatônio não é rato de laboratório; é nobreza com contrato próprio. Cada morador tem autonomia completa, inclusive a de ir embora, se algum dia quiser. Nenhum jamais quis. 2. O que se perde no Solar está apenas esperando o momento certo de ser encontrado. Não se procura com pressa. Não se pr
16 de mar.


A biblioteca cogumelo
Há no Jardim da Lua algo que visitantes não percebem na primeira vez. Não porque esteja escondido, não há folha que cubra, não há encantamento que disfarce. Está ali, enorme, presente. Mas algumas coisas só aparecem quando alguém está pronto para vê-las. Entre as margaridas, perto de onde Tobias Vagalume costuma esquecer sementes, cresce um cogumelo. Não é pequeno. Não é discreto. Não é cogumelo de conto de fadas, delicado, venenoso, mágico de forma óbvia. É enorme. Seu chapé
16 de mar.


As Duas Vozes do Solar
Há no Solar duas criaturas que não moram em lugar nenhum, e moram em todos. Que não aparecem em hora marcada, e aparecem sempre que preciso. Que não são bem-vindas, e são essenciais. São gatinhos. Pequenos, do tamanho de mão que se fecha. Um branco, quase transparente, como feito de luz que resolveu ser sólida. Outro preto, não o preto do Gato do Jardim da Meia-Noite, ausência, mistério, mas preto brilhante, como carvão que ainda queima, como noite que decide ser noite. Ângel
16 de mar.


Leonardo - dono da noite
Há no Solar uma criatura que não manda na noite. Conhece. Não é dono no sentido de posse, de controle, de meu e não seu. É dono no sentido de habitante primordial, de quem estava lá antes de haver lá para estar, de quem a noite reconhece como seu, não por submissão, por afinidade. Porque Leonardo, coruja, silêncio, olho que não pisca, é mais noite que a própria escuridão. Ele vive no telhado. Não no Jardim da Meia-Noite, ali é território do Gato Preto, e Leonardo, sendo dono,
16 de mar.


Baltazar Remexe-Frascos
Há no Solar animais que guardam. Animais que cantam. Animais que traçam, que piscam, que persistem, que esperam. E há Baltazar. Baltazar não guarda. Não canta. Não traça, não pisca, não persiste na mesma medida, não espera no sentido que o Solar entende espera. Baltazar remexe. Não foi convidado. Não foi encontrado. Apenas aconteceu, da forma como acontecem no Solar as coisas que precisam acontecer, sem aviso, sem cerimônia, com lógica própria que só se revela depois. Era noi
16 de mar.


A Primeira Margarida
Há no Jardim da Lua uma flor que não é para vender. Não é para arrancar. Não é para oferecer a visitantes que chegam com peso de coração e precisam de gesto suave. É para permanecer. Ninguém sabe exatamente onde nasceu. Isso, no Solar, é qualidade, não defeito. Coisas que se sabem de onde vieram são coisas que podem ser replicadas, substituídas, esquecidas. Coisas que aparecem, essas são únicas, essenciais, sagradas. Alguns dizem que foi Tobias Vagalume que esqueceu a semente
16 de mar.


Lucerna
Há no Solar uma luz que não é luz de vela, não é luz de lamparina, não é luz de fogo que consome. É luz de presença, pequena, constante, quase esquecível até que se apague e se perceba, então, o que escuridão realmente é. Lucerna mora na luminária da entrada. Não mora dentro dela, como quem ocupa espaço. Ela é a luminária, seu espírito, sua alma, a razão do seu brilho. Quando a noite cai e alguém chega Madame Hey, um visitante, ou mesmo o vento empurrando a porta, a luz se
14 de mar.


Morcélio da Silva
Há no Jardim da Meia-Noite criaturas que respeitam o silêncio absoluto. Que meditam na escuridão, que são mistério feito carne, que não se movem sem necessidade cósmica. Morcélio da Silva não é uma delas. Ele tenta. Deus ou quem quer que cuide de morcegos sabe que ele tenta. Mas há, no Solar, cheiros que não pedem permissão para invadir nariz de quem dorme de cabeça para baixo. E Morcélio, apesar de todas as suas boas intenções noturnas, é fraco diante deles. Especialmente d
14 de mar.


O Gato preto do Jardim da Meia-Noite
Há no Solar um lugar onde Rudolph não vai. Não por medo, ou talvez por medo que ele próprio não nomearia. Por reconhecimento: de que alguns territórios exigem outro tipo de guardião. O Jardim da Meia-Noite fica do outro lado. Não oposto ao Jardim da Lua, além. Como se a noite tivesse dobras, e Rudolph vivesse na primeira, e este jardim na última. Não há flores brancas ali. Há flores de cor que não tem nome: o roxo que chega a preto, o vermelho que se apagou, o azul que só exi
14 de mar.


Rudolph
Há no Solar um morador que não foi convidado, apenas permitido. E que, sendo permitido, decidiu que o Solar era seu. Rudolph é gato. Não gato de raça, não gato de pedigree. Gato de característica: amarelo como a luz que sobra quando o sol se despede, branco como a cautela de quem não se compromete com uma só cor. Manchas irregulares, como se alguém, talvez a própria noite, talvez a Madame Hey em um dia distraído, tivesse derramado tinta e decidido que o acidente era bonito. E
14 de mar.


Seu Zecatixo
Há no Solar um morador que não veio do folclore europeu, não trouxe mistério de outras terras. É brasileiro, de raiz, de terra, de calor no peito. Seu Zecatixo Lagartixa, chapéu de palha, e um jeito de estar no mundo que faz a casa parecer mais casa. Ele não é grande. Lagartixas não são. Mas há presença nele, daquelas que ocupam espaço sem disputá-lo. Sua pele é o cinza-pardo dos muros antigos, das calçadas que viraram quintal, dos dias que não são nem quentes demais nem frio
14 de mar.


Astérula
Há no Solar uma impossibilidade calma. A água da fonte que não deveria estar ali. A estrela que não deveria respirar nela. Astérula é uma estrela-do-mar. Pequena, do tamanho de uma mão que se abre para receber. Cinco braços que não apontam para lugar nenhum, e por isso apontam para todos. Rosa-pálida, às vezes ou talvez seja a luz da tarde. Às vezes cinza-perolado, como concha que esqueceu de fechar. Às vezes, nas noites de lua cheia, quase translúcida , como se o brilho vies
14 de mar.


As Pintas
Há no Solar uma regra não escrita: quando algo está no lugar certo por muito tempo, elas aparecem. Não para destruir. Para mexer. As Pintas são sete. Sempre sete, embora ninguém as tenha contado ao mesmo tempo e chegado ao mesmo número. Joaninhas vermelhas, todas iguais, todas diferentes, separadas pelo padrão de pintas negras em suas costas, pela personalidade que essas pintas sugerem, pelo crime que cada uma prefere cometer. O grupo é formado por sete personagens, cada uma
14 de mar.


Tobias Vagalume
Há criaturas no Solar que não podem ser vistas de frente. Tobias é uma delas. Não porque seja tímido, porque é luz . E luz, quando vista, deixa de ser luz. Torna-se apenas claridade, apenas dia, apenas o que já se conhece. Tobias prefere o piscar. O quase. O foi-se que deixa saudade antes mesmo de ter sido plenamente visto. Dizem que ele nasceu de uma centelha. Não de fogo, de estática, daquele choque pequeno que acontece quando a pele toca tecido seco, quando o gato se espre
13 de mar.


Don Caracol
Há moradores no Solar que só existem em certos ângulos da luz. Don Caracol é um deles. Não porque seja invisível. Porque é discreto, uma qualidade esquecida nos dias em que tudo grita para ser notado. Don Caracol não grita. Nem sussurra. Apenas deixa rastro, e deixa que o rastro fale por ele. Dizem que ele apareceu na madrugada em que a primeira parede foi levantada. Não quando a pedra foi colocada, horas depois, quando o cimento ainda gemia, ainda se ajustava, ainda lembrava
13 de mar.


A serenata das Poças
Há música no Solar que não vem de instrumentos. Vem de água parada, de garganta, de paciência. A serenata das Poças não se apresenta. Apenas acontece nas noites em que a umidade sobe da terra e as estrelas parecem mais distantes que o normal. Quatro sapos, quatro funções, uma única certeza: som é coisa que se sente antes de se ouvir. Dom Bemol é o fundo. O baixo. O que vibra no peito antes de chegar aos ouvidos. Ele não canta para ser ouvido, canta para ter certeza de que a t
13 de mar.


Nicolau, o Lento
Há criaturas no Solar que não se movem. Apenas continuam. Nicolau é uma delas. Dizem que ele estava lá antes da primeira pedra ser colada. Que quando a Madame Hey pisou no terreno pela primeira vez, sentiu algo sob a sola do pé, não uma raiz, não uma pedra. Algo que cedia, mas não se quebrava. Algo que esperava . Ela não olhou. Sabia, instintivamente, que algumas presenças se ofendem com olhares diretos. Nicolau era uma dessas. Desde então, ele habita os corredores mais longo
13 de mar.
Blog do solar
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